Acabei de assistir
“Fiel”. É um documentário que conta a saga do Corinthians na série B pela ótica
da torcida. Também tem depoimentos de jogadores, mas a maior parte do enredo
fica por conta do bando de loucos. O filme mostra torcedores contando suas histórias
desde os primeiros jogos do campeonato brasileiro de 2007 (ano do rebaixamento)
até o final de 2008 (ano da volta à série A). O 2 de Dezembro, o jogo contra o
Ceará, a “tragédia” e a redenção. Gostaria de justificar as aspas na palavra
tragédia. O rebaixamento, sem dúvidas, foi o maior drama que já vivi na minha
vida de Corinthians. A queda para série B realmente seguiu os parâmetros de
Hamlet. O conflito entre o time de poucos craques e os deuses do futebol estava
claro. O destino conspirava contra o alvinegro do parque São Jorge. O final
trágico era inevitável. Na última rodada, o Timão empata com o Grêmio no
Olímpico e o Goiás vence o Internacional. Mas sabíamos que havia algo de podre
no futebol. O último gol do time alviverde foi de pênalti... Três cobranças, um
gol, inimigos comemorando e uma nação em lágrimas. Quer final mais trágico que
esse? No entanto essa história não é de Shakespeare. Essa é a nossa história. O
Corinthians não morreu no dia 2 de Dezembro para infelicidade geral dos rivais.
O Corinthians levantou e enfrentou seu destino. Já em paz com os deuses e
empurrado pelo povo louco (tal como a loucura de Hamlet) voltou à cena
principal. E assim justifico o uso das tais aspas.
Voltando ao conteúdo do documentário,
nele alguns torcedores contam como “se tornaram” corintianos. Mais uma vez o
uso das aspas necessita de alguma explanação. “Se tornaram” porque para muitos,
o verdadeiro corintiano já nasce louco. Ele pode não saber que o é, mas em
alguma momento o grito de Vaaaai Corinthians vai ecoar e aí já era, curintia
até morrer.
Pensei em como e quando isso
aconteceu comigo. Gostaria de compartilhar essas lembranças com o leitor. O ano
era 1994. Morava em Bragança Paulista, estado de São Paulo. Tinha nove anos e
estava empolgado com o futebol. A seleção brasileira tinha sido campeã mundial
e aquela emoção me agradou muito. Ainda não tinha um time de coração. Meu pai
nunca foi corintiano, era flamenguista (Ou cruzeirense? Acho que os dois). Meu
irmão mais novo, assim como eu, adorava futebol e também não tinha um time. Nós
não parávamos de brigar, mas não desgrudávamos um do outro, coisa de irmão...
Num belo dia a TV transmite um jogo: a final do campeonato de brasileiro de
1994. Um time de verde, o outro de branco. Um time cheio de craques e atual
campeão, o outro com raça. “Eu vou torcer pro de branco”, “eu vou torcer pro de
verde”. Eu vou torcer pro de branco... O Corinthians perdeu aquele campeonato,
mas ganhou um torcedor. O Corinthians perdeu aquele campeonato, mas não tem
problema, eu sabia que seria muito feliz torcendo “pro de branco”.
watch?v=Pouo1btvQHU
Nenhum comentário:
Postar um comentário