CORINTIANO, BLOGUEIRO E ESCRITOR

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

E foi assim que aconteceu.


Acabei de assistir “Fiel”. É um documentário que conta a saga do Corinthians na série B pela ótica da torcida. Também tem depoimentos de jogadores, mas a maior parte do enredo fica por conta do bando de loucos. O filme mostra torcedores contando suas histórias desde os primeiros jogos do campeonato brasileiro de 2007 (ano do rebaixamento) até o final de 2008 (ano da volta à série A). O 2 de Dezembro, o jogo contra o Ceará, a “tragédia” e a redenção. Gostaria de justificar as aspas na palavra tragédia. O rebaixamento, sem dúvidas, foi o maior drama que já vivi na minha vida de Corinthians. A queda para série B realmente seguiu os parâmetros de Hamlet. O conflito entre o time de poucos craques e os deuses do futebol estava claro. O destino conspirava contra o alvinegro do parque São Jorge. O final trágico era inevitável. Na última rodada, o Timão empata com o Grêmio no Olímpico e o Goiás vence o Internacional. Mas sabíamos que havia algo de podre no futebol. O último gol do time alviverde foi de pênalti... Três cobranças, um gol, inimigos comemorando e uma nação em lágrimas. Quer final mais trágico que esse? No entanto essa história não é de Shakespeare. Essa é a nossa história. O Corinthians não morreu no dia 2 de Dezembro para infelicidade geral dos rivais. O Corinthians levantou e enfrentou seu destino. Já em paz com os deuses e empurrado pelo povo louco (tal como a loucura de Hamlet) voltou à cena principal. E assim justifico o uso das tais aspas.
Voltando ao conteúdo do documentário, nele alguns torcedores contam como “se tornaram” corintianos. Mais uma vez o uso das aspas necessita de alguma explanação. “Se tornaram” porque para muitos, o verdadeiro corintiano já nasce louco. Ele pode não saber que o é, mas em alguma momento o grito de Vaaaai Corinthians vai ecoar e aí já era, curintia até morrer.
Pensei em como e quando isso aconteceu comigo. Gostaria de compartilhar essas lembranças com o leitor. O ano era 1994. Morava em Bragança Paulista, estado de São Paulo. Tinha nove anos e estava empolgado com o futebol. A seleção brasileira tinha sido campeã mundial e aquela emoção me agradou muito. Ainda não tinha um time de coração. Meu pai nunca foi corintiano, era flamenguista (Ou cruzeirense? Acho que os dois). Meu irmão mais novo, assim como eu, adorava futebol e também não tinha um time. Nós não parávamos de brigar, mas não desgrudávamos um do outro, coisa de irmão... Num belo dia a TV transmite um jogo: a final do campeonato de brasileiro de 1994. Um time de verde, o outro de branco. Um time cheio de craques e atual campeão, o outro com raça. “Eu vou torcer pro de branco”, “eu vou torcer pro de verde”. Eu vou torcer pro de branco... O Corinthians perdeu aquele campeonato, mas ganhou um torcedor. O Corinthians perdeu aquele campeonato, mas não tem problema, eu sabia que seria muito feliz torcendo “pro de branco”.

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